As novas máquinas de morar
July 1st, 2008Ainda tratando das máquinas de morar, parece que o assunto nunca esteve tão em voga. Na Europa (sempre ela!), não param de pipocar projetos de casas completas que você pode comprar com teu cartão de crédito e levar para onde quiser. Esta parece ser a resposta mais adequada para enfrentar tempos de crise de energia, falta de espaço nas cidades e destruição da natureza.
Um dos primeiros a aparecer é o LoftCube, do arquiteto alemão Werner Aisslinger. Este é também o mais atraente. Ele parte da premissa de que as grandes cidades já estão completamente ocupadas em seu nível térreo, então que a solução seria ocupar os topos de seus prédios. Essas caixas de vidro são inteiramente montáveis in loco, são relativamente leves e as lajes dos prédios se tornariam lindos quintais com vistas fabulosas. Com certeza não resolveria a questão da habitação no Brasil, mas eu acho bem divertido. Muito melhor que muita porcaria que nos oferecem diariamente em planfletos de farol.
Em 2003, a arquiteta portuguesa Fátima Fernandes e o italiano Michele Cannatá desenvolveram os Módulos Auto-Suficientes. São moradas independentes em termos de energia, água e mecânica por até três semanas. Com 27m2 cada um, os módulos podem também ser colocados em qualquer local e ainda podem se acoplados a outros para originar residências maiores. Claro que o espaço reduzido pede uma flexibilidade simplista da decoração (sofá que vira cama, cozinha que vira bar), mas a cobertura em painéis de absorção de energia solar permite que a casa tenha as instalações elétricas totalmente auto-suficientes para sempre.
Um grupo de professores da Universidade Técnica de Munique foi além e criou o que podemos chamar de uma ‘barraca de morar’, tipo acampamento mesmo. Com exíguos 10m2, pé direito de apenas 1,98m, essa casa supercompartimentada tem duas camas retráteis, mesa deslizante para cinco pessoas, banheiro totalmente equipado, TV de plasma, cozinha completa e energizada, sistema de esgoto, calefação, ar condicionado, aquecimento de água e alarme de incêndio, tudo com energia solar, claro. A estrutura é de madeira de lei, com fechamentos em placas de alumínio tratado isolado com poliuretano. Ela está a venda na internet e custa de 25 a 34 mil euros, e é entregue em sua casa em até 10 semanas. E como uma boa barraca de acampamento, se você cansou, põe na caçamba do carro e simbora!
O futurismo e o futuro da arquitetura
June 30th, 2008
Le Corbusier, tido como papa da arquitetura moderna, propôs que a construção de casas não fosse algo livre e pessoal como fazer compras de supermercado ou de roupas. Ele sonhava com um mundo onde fábricas cuspissem residências prontas para serem usadas por qualquer ser humano do planeta. Eram as ‘máquinas de morar’, que levavam a extremos os cânones chamados ‘cinco pontos da arquitetura’, que ele tinha como imprescindíveis ao projeto de residências. A partir dali, nada mais era arquitetura, ninguém mais poderia fazê-la.
Prepotências a parte, Le Corbusier é tido como um dos maiores arquitetos do mundo não pelos seus projetos em si, mas porque ele foi o primeiro grande visionário a acreditar que poderia projetar um futuro da civilização. Nos filmes vimos carros voadores, roupas metálicas, comida em cápsulas e robôs substituindo-nos em nossos afazeres. De 2001, uma Odisséia do Espaço a Jetsons, todos nós já tivemos uma fantasia de futuro. Mas a verdade é que o futuro já chegou, e nada daquilo realmente aconteceu.
Ao longo do século XX, vários arquitetos e escritórios vieram com idéias mirabolantes de como viveríamos dali a 20, 30, 100 anos. O Archigram talvez seja o grupo com as idéias mais interessantes, com suas cidades ambulantes nos anos 60, que vagavam atrás de conexões com outras. Verner Panton foi o mais pé-no-chão, trazendo esse imaginário futurista para dentro das casas da mesma época, com muito apuro estético e pouco deslumbre.
Por aqui tivemos um grande idealista, que foi o arquiteto Eduardo Longo. Ele construiu sobre sua casa uma maquete em tamanho quase real do que seria o protótipo da casa industrial ideal: uma casa que saia pronta da fábrica, que poderia ser colocada em qualquer lugar, ainda mais que a de Le Corbusier, pois já vinha moldada com privada, fogão, varal, etc, e se sustentava sobre um único pilar. Nascia a Casa Bola. O protótipo rendeu uma outra casa para os pais do arquiteto no Morumbi, mas esta já se afastava completamente do ideal inicial. Hoje ela paira desconfortavelmente numa localização privilegiada da cidade, com cara de brinquedo de parque de diversões.
O japonês Kisho Kurokawa imaginou outro futuro, em que as pessoas se compartimentariam ao mínimo, e criou a cápsula para morar. Construiu inclusive um prédio inteiro de cápsulas que chegou a ser inteiramente ocupado. Pois nem os espremidos moradores de Tókio se convenceram da idéia e o edifício deve ser demolido este ano para dar lugar a mais uma gigantesca torre de apartamentos não-tão pequenos.
Onde foi parar o futuro? O que podem imaginar os arquitetos como utopias que pelo menos norteiem a produção edificante daqui para frente? Hoje tudo que se projeta suporta-se sobre os pilares da qualidade de vida, da sustentabilidade e da ecologia. Ok, estamos perto do fim do mundo, ninguém pode negar. Mas estamos já tão perto que perdemos a chance de imaginar-nos daqui a 50 anos? Estamos fadados a imaginar apenas uma forma menos agressiva de habitar o mundo pelo tempo que nos resta e tentar reparar minimamente o estrago que 5 mil anos de humanidade causou? Eu ainda tenho esperança de usar roupa metálica e ter um robô-faxineira.
Harry Siedler, o modernista australiano
June 27th, 2008Não muito conhecido ao redor do mundo, o arquiteto australiano -por-afinidade Harry Siedler imprimiu sua marca como um dos maiores modernistas da ilha. Nascido em Viena, na Áustria, Harry foi estudar em Harvard, onde teve aula com os mestres da Bauhaus Walter Gropius e Marcel Breuer, hasteando logo a bandeira do modernismo mais puro, vindo diretamente da fonte. Chegou inclusive a trabalhar com Oscar Niemeyer.
Em 1948, ainda com 24 anos, ele foi chamado pela mãe até Sydney para construir sua primeira casa. O bloco puro e envidraçado, com uma longa rampa de acesso ao lado e um incrível painel colorido em uma lateral causaram impacto na então provinciana cidade do fim do mundo. Ele tinha desenvolvido aquele projeto ainda na universidade junto a Breuer, seguindo a onda corrente do país onde estudava, mas os australianos ficaram embasbacados com tanta novidade. Harry sabia que provavelmente demoraria muito para ganhar alguma projeção em meio a tantos grandes arquitetos modernistas na Europa e os EUA, então decidiu ficar.
Em um ano ele já estava famoso e nunca mais parou de projetar no país, até a sua morte aos 82 anos, em 2006. Sua esposa Penélope estudou arquitetura para ajudá-lo em seus projetos, mas acabou por estudar também contabilidade, para cuidar da administração do escritório e deixar o marido projetar sozinho. Juntos projetaram sua própria casa em concreto aparente e pedra, com uma inspiração muito bem executada de Frank Lloyd Wright.
O projeto mais audacioso de Siedler foi um plano urbanístico de adensamento para o porto de Sydney, contrapondo com o espraiamento contínuo da cidade. O Blues Point Tower, na ponta da área de intervenção, foi o primeiro arranha céus a ser construído com seus 50 andares, mas a crítica foi tão voraz que o governo deixou o plano de lado e o prédio foi deixado lá, sozinho, marcando a paisagem como um obelisco.
Mas isso não o impediu de seguir com sua carreira de sucesso, com muitas casas de sonho como a Berman House de 1999, e muitos edifícios institucionais como o a Embaixada da Austrália em Paris e o Ian Thorpe Aquatic Center, inaugurado em 2007. Ele participou do concurso da Ópera de Sydney vencido por Jorn Utzon, ganhou prêmios na Inglaterra, França, Alemanha e Áustria pela sua obra e ainda publicou um livro de fotografia de arquitetura em 2003, traduzido para sete línguas.
Casa de ferreiro…
June 26th, 2008… Espeto de pau. Como bom arquiteto, eu não poderia ter uma casa linda e super organizada. Sempre tenho algo para arrumar, sempre estou dando um tapa no decor, nada fica estático, lindo, como matéria de revista (aliás, longe disso).
Bom exemplo é essa minha casa virtual, que passou por vários perrengues, mas agora resolvi fazer uma obrona para deixar ela ao menos apresentável. Não sou nenhum expert em informática, mas até que consegui me virar, e agora o blog está devidamente hospedado na minha home, com um layout quebra-galho (até um programador fodão se oferecer para fazer um definitivo bacanudo), e a melhor notícia de todas, agora disponibilizei o RSS para os viciados em feeds.
Então ficou mais fácil acompanhar o que acontece de melhor na arquitetura no Brasil e pelo mundo. Vou tentar ser bem regular, mas dificilmente vou escrever mais de um post por dia, então não adianta dar desculpa que não deu tempo de ler. Dito isso, entre, puxe uma cadeira e sinta-se em casa.
PS:Texto dedicado ao grande Gil Barbara, que tentou me ajudar a arrumar o site antes, mas a mula aqui não deixou.
Guggenheim Hermitage Museum em Vilnius, de Zaha Hadid
May 27th, 2008
Mais uma vez a arquiteta do momento, a iraquiana Zaha Hadid, levou para casa um dos maiores concursos atuais. É o novo museu de Vilnius, capital da Lituânia, que abrigará a Fundação Guggenheim, junto com o Museu Hermitage, de São Petesburgo. Dois dos maiores acervos do mundo juntos, coisa pouca.
No concurso também participaram o alemão Daniel Liebeskind e o italiano Massimiliano Fuksas, e os três projetos estarão em exibição até junho no Jonas Mekas Visual Arts Center. ‘A cidade (Vilnius) será a capital européia da cultura em 2009 e tem um longo histórico de patrocínio das artes.’ disse Zaha, ‘O museu será um lugar onde se poderá experimentar as idéias de galerias, complexidade espacial e movimento.’
O edifício projetado por ela é um volume único que dá continuidade à sua obra, trabalhando as linhas curvas expressando a fluidez e a velocidade. Pousado sobre um grande platô às margens do rio, o objeto construído se contrapõe ao skyline de grandes arranha-céus e oferece novos usos para a grande praça a sua volta. O volume coeso externamente é cortado por um grande canyon de luz no interior, que interliga as alas das galerias.



Já chamaram-no de um grande diamante bruto, mas eu penso que mais parece um órgão vivo, e cada dobra e protuberância do objeto representa uma veia por onde pulsa a arte.
Livro: Artacho Jurado - Arquitetura Proibida
May 19th, 2008
Acontece amanhã, dia 19 de maio, o lançamento do livro ‘Artacho Jurado - Arquitetura Proibida’ de Ruy Eduardo Debs Franco, na Saraiva do ex-Shopping Paulista, às 19hs. Para quem não sabe, Artacho Jurado foi um empreiteiro que, nas décadas de 30 e 40, driblou todo o elitismo do CREA junto aos arquitetos para espalhar pela São Paulo cinzenta edifícios residenciais lindos, coloridos e hoje em dia disputadíssimos.
Por não ter formação ou licença para assinar projetos, Artacho sempre fez uso da assinatura de terceiros para pôr de pé o que ele acreditava que faltava na cidade. São prédios revestidos de cima a baixo com pastilhas coloridas, em sua maioria rosa, com plantas de excelente dsitribuição, unindo o que havia de mais interessante do modernismo com a art nouveau e deco. Foi ele também que adicionou aos projetos residenciais as áreas comuns, hoje tão caras ao mercado imobiliário. Lançando teorias sobre o lazer comunitário, ele sempre incluía em seus projetos jardins, piscinas, saunas, bares e salões de festas. Caso típico é aquele imenso bloco envidraçado sobre o Edifício Viadutos no final da Av. Xavier de Toledo, que muitos compraram a uma nave espacial.
Com uma arquitetura extremamente formalista, que contorcias as leis modernistas de Le Corbusier, e atuando numa área super regimentada, Artacho foi desprezado pela crítica e sofreu represálias de arquitetos renomados, que o excluíram da história da arquitetura da época.



Recentemente, um movimento de valorização do vintage, que acometeu também o mercado imobiliário, fez com que suas obras voltassem a figurar entre as construções mais valorizadas da cidade. Além do Viadutos, temos outros edifícios muito conservados e conhecidos, como o Cinderela, na Rua Maranhão, o Louvre, na Av. São Luis, o Bretagne, na Av. Higienópolis e o Verde Mar, na orla de Santos.
Apenas mais uma curiosidade: a revista hype inglesa Wallpaper considerou o Edifício Bretagne um dos melhores para se viver no mundo.
(A primeira foto é do Ed. Louvre, e é minha. A segunda e a terceira são o Viadutos e o Bretagne, são do Claudio Zeiger e foram tiradas daqui. A última é o Verde Mar e foi tirada daqui. Mais fotos podem ser vistas aqui.)
X-Fail em São Paulo
May 12th, 2008
E inauguraram finalmente o mais novo elefante branco da arquitetura brasileira: a ponte Octávio Frias de Oliveira. Passando sobre a Marginal Pinheiros, ela possui duas pistas curvas de 190m cada estaiadas a um imenso pilar em ‘X’ de 138m de altura, equivalentes a um prédio de 46 andares. A obra custou ‘módicos’ 260 milhões de reais, e já foi adotada pelos paulistanos, ávidos por qualquer marco que tente embelezar a cidade, como cartão-postal. Kevin Lynch se revolve no túmulo.
São Paulo há muito busca algum tipo de identidade visual em meio ao caos e à feiúra que dominou cada ruela. Primeiro elevaram a Avenida Paulista a status de marco. Convenhamos, uma avenida larga e longa, ladeada por uma série de prédios nem tão altos, nem tão bonitos, nem tão modernos assim. Apenas mais uma avenida comercial, como em qualquer grande cidade do mundo. Catedral da Sé, Parque do Ibirapuera, tudo mais do mesmo. O MASP sim tem porte para assumir tal posto. Uma construção única e universal na sua proposta, em uma localização perfeita. Mas brochou, graças à sua lamentável administração, e à assombrosa paisagem que tomou conta da vista do térreo. Assim considero as carambolas e melancias de Ruy Ohtake como um sopro de novidade (questões estéticas de lado).
Agora prefeituras e empresas de engenharia nos enfiam goela abaixo o que eles chamam de uma construção única no mundo, como se fosse caramelo para criança. ‘A única ponte estaiada curva dupla do mundo!’ Óoooo! Todos os engenheiros que comentam a obra insistem em ressaltar a dificuldade de se calcular as forças exercidas sobre os estais em pontes curvas, ainda mais no caso da dupla. A Europa, que tem as melhores tecnologias e os melhores projetistas do mundo nesse aspecto, fez algumas poucas e simples. Por que eles nunca pensaram em fazer uma dupla, pergunto eu? Talvez pela grande dificuldade, com péssimo resultado estético e alto custo de obra? Então para que mesmo os brasileiros pernósticos a ponto de quererem fazer a primeira? O mundo deve estar rindo da nossa cara, como nós tão deliberadamente fazemos em relação aos portugueses.
O que mais me incomoda é a facilidade como a população leiga se animou com o monstro X. A falta de repertório faz com que as pessoas achem aquele novelo amarelo bonito, só porque é algo nunca visto. Mas não é preciso ser pós-graduado para perceber que a composição não tem ritmo, esbeltez, harmonia ou ordem. É uma teia de aranha fluorescente com uma grande bigorna Acme no meio. Eu preferia até a divertidíssima ponte-piada do Marcio Kogan. Se ao menos todos tivessem a oportunidade de conhecer as lindas pontes de Sir Norman Foster, ou melhor, as esculturas em forma de harpa do mestre Santiago Calatrava.





Isso sim, pode-se chamar de poesias que cruzam rios. A nossa é apenas mais uma forma frustrada de conter o trânsito cada vez mais enlouquecedor. Terminar o Rodoanel, melhorar o transporte público, acabar com o inchaço urbano… quando será que os projetos urbanos serão mais estratégicos e menos paliativos? Em tempo, quantos quilômetros de metrô se constroem com 260 milhões?
Loeben Justizzentrum, Áustria
May 5th, 2008A notícia é velha, já que foi inaugurado em março de 2005, mas para os brasileiros nada pode ser mais chocante do que imaginar que este albergue de luxo na verdade é um centro correcional em Steiermark, na Áustria. Isso mesmo, uma CADEIA!!!

O Loeben Justizzentrum é um complexo de justiça: engloba todas as acomodações e instalações dos cárceres (inclui sala de ginástica, quartos para visitas e mais), uma corte de justiça e escritórios da procuradoria. Com capacidade para 205 presidiários, pode-se imaginar como a detenção pode, sim, servir para a ressocialização dos criminosos.
Claro que aqui precisaríamos construir o Estado do Pará inteiro só de cadeias dessas para abrigar de trombadinhas de sinal a jogadores de filhos pela janela. Fora que ia ter uma fila bem grande de gente querendo entrar voluntariamente. Agora, convenhamos, tem gente que não devia nem passar pela porta de um lugar desses. Como diria meu pai, esses deveriam ser pendurados pelo saco em praça pública.
Salão Internacional do Móvel de Milão 2008
April 22nd, 2008Acabou ontem mais uma edição do famoso Salão Internacional do Móvel de Milão. Quem não tem como fazer um cooper in loco para ver tudo que rolou por lá, acompanha pela net mesmo. E pelo que eu andei vendo por aí, 2008 trouxe poucas surpresas.
A tendência do design segue o curso dos últimos anos, com o manjado mimetismo lúdico que tem feito o design de luxo beirar o pop, para não dizer a chacota. Cadeiras de Marfinite que você compra no supermercado, agora são esculpidas em madeira maciça. Peças de renda delicadíssima são confecionadas em metal ou madeira, com tecnologia de ponta. Aquele capitonê macio da casa da vovô agora é feito em material duríssimo como pinho, mas na verdade é um tecido com estampa de pinho. Muita piada numa peça só. Nessa categoria estão a cadeira de Maarten Baas, a Carved Chair de Marcel Wanders para Moooi, e o banco Touch Wood de Minale-Maeda’s.

Aqui o destaque vai mesmo para as incríveis peças dos designers da Front, transformando todos os móveis e utensílios em sketches. O tapete é um capítulo à parte. Típico design do tipo ‘por que eu não pensei nisso?’, que configura as verdadeiras genialidades.

Em outra esfera, temos as invenções mirabolantes típicas de Professor Pardal, mas que unem a inovação técnica com o desenho mais refinado, deixando o público babando (eu preciso de babador). Essa categoria é a que traz as peças mais interessantes no geral, e a que deixa mais rastros para os anos seguintes. Aqui não posso deixar de destacar o chuveiro/banheira kubrickiano de Ron Arad para a Teuco. Sem comentários. Na onda do aquecimento global, o star designer de luminárias Ingo Maurer se juntou com a Osram e criou a Early Future Lamp, a primeira a usar o LED orgânico, que nada mais é do que um filme luminoso, ou seja, luz em duas dimensões. Imaginem onde vamos parar com isso. E bem mais simples, mas igualmente divertida é a ‘torneira de mesa’ de Arnout Visser para a Droog, que sempre se preocupa com sustentabilidade.

Por último, temos o design meio lírico, meio surrealista. As peças podem não ser uma grande inovação, mas seu impacto visual de um desfile de alta costura. Ninguém usa aquelas roupas, mas sonhamos com elas. Os melhores que encontre aqui são a Ghost Chair, de Ralph Nauta e Loneke Gordijn da Design Drift, e o trabalho da estudante Pernilla Jansson para a exposição de designers-to-be, que desata o nó sufocante que as luzes fluorescentes nos apertam em nossos escritórios e cozinhas.

Resenha feita, nada como o bom design a serviço das nossas pequenas e humildes vidas. Quer ver a melhor peças apresentada esse ano? Ei-la:


































